Cidade limpa: não precisa ser tão complicado.

Ontem eu presenciei uma cena aqui próximo de minha casa, para mim, ainda inédita.

Era último dia de aula das crianças e adolescentes que frequentam a única escola da cidade antes de um curto período de férias da primavera. A última atividade proporcionada pela escola foi justamente a cena com a qual me deparei: adolescentes (acredito que deviam ter uns 12 ou 13 anos) vestidos com coletes alaranjados com refletores e distribuídos em pequenos grupos estavam alocados em diferentes pontos da cidade para recolher o pouco lixo que havia na rua, na beira da estrada e nas praças.


By Michelangelo-36 (Own work) [GFDL (http://www.gnu.org/copyleft/fdl.html), CC-BY-SA-3.0 (http://creativecommons.org/licenses/by-sa/3.0/) or CC-BY-2.5 (http://creativecommons.org/licenses/by/2.5)], via Wikimedia Commons


Cada um com um saquinho na mão, ajudando a limpar a cidade em que sua família vive.

Foi interessante observar como agiam. Um cuidava da segurança do grupo, fazendo sinal para os carros diminuírem a velocidade; outros animados, competindo com os colegas para ver quem pegava mais lixo; em outros notava-se uma certa cara de indignação.

E foi essa cara de indignação que me chamou a atenção. Não era indignação por ter que fazer aquela atividade. Seus olhos diziam: "Por que alguém joga uma garrafa plástica AQUI???".

Uma atividade tão simples que pode trazer ao adolescente de hoje a noção de certo e errado, de respeito pelas áreas públicas, de lixo no lixo, de consciência coletiva.

Notem que quando comecei a descrever a cena, mencionei "pouco lixo". Sim, o lixo nas ruas aqui é pouco. Uma latinha de Red Bull aqui, uma garrafinha d'água lá longe... Vejo agora porque aqui não se tem garis e as ruas são limpas: os moradores aprendem desde cedo as implicações do lixo no lugar errado.

Fazer um adolescente pegar um saquinho e catar o lixo da rua o faz pensar naquele copinho que ele jogou sem que ninguém visse, o faz vigilante em casa e com os amigos.

Moro na Suiça, um país rico, de primeiro mundo, que oferece uma qualidade de vida invejável. A limpeza de áreas públicas e a consciência da população sobre o descarte correto de seus resíduos são fatores que pesam para essa classificação. Mas vejam como não é preciso ser um país rico para dar essa lição - na prática - para crianças e adolescentes. Basta dedicar poucas horas do ano letivo à atividade semelhante.

Às vezes, enquanto esperamos grandes verbas do governo para grandes mudanças, não enxergamos que com medidas simples e baratas podemos ter um efeito eficaz e duradouro.

Agora saia na rua e observe o lixo jogado nos cantos. Pense no trabalho que dará para recolhê-lo. Pense em quem fará isso. E pense sempre nisso quando você for jogar sua bituca de cigarro, seu chicle ou seu copinho descartável disfarçadamente no chão.



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Uma sutil pena de morte

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Desembarcando no paraíso dos cangurus

Compartilhar no Twitter!Olá, todos que acompanham o Rodando Pelo Mundo. Foi com muito prazer que recebi o convite para colaborar com este post para o blog do meu amigo Michel. Aqui, contarei um pouco das primeiras impressões da Austrália. De começo, garanto que o RPM me ajudou com informações importantes nas minhas pesquisas pré-viagem. Estou [...]

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Afinal, é Carnaval!


Todos só falam de carnaval. Espero ansiosamente para que os próximos dias passem rápido.
Isso cansa, gente!


Eu admiro quem ainda curte o carnaval puro. Todas as classes unidas despretensiosamente, cantando marchinhas e fazendo uso abusivo dos confetes e serpentinas.

Eu já sou do time dos que gostam apenas dos dias de folga que o carnaval nos proporciona. Mas devo confessar que esse time - que vejo crescer a cada ano - tende a se frustrar facilmente, a não ser que consigam viajar para algum lugar deserto, onde não se ouvirá o samba alheio.

É engraçado observar a relação das pessoas com o carnaval. E observar no quê ele tem se transformado. Isso nos leva à reflexões. E as conclusões, para mim, são tristes.


O nome carnaval vem do latim e significa prazeres da carne.


As sociedades antigas romanas e gregas já promoviam festividades pagãs em que todos se uniam em busca desses prazeres em sinal de liberdade. Essas festas deram origem a diversas festas carnavalescas por aí (o carnaval não é propriedade do Brasil não, minha gente), que são caracterizadas pela união de todas as classes sociais, culturais e econômicas em festejos de rua, algumas vezes fazendo uso de fantasias e máscaras, assim como ocorre ainda hoje na França e Itália.


O nosso famoso carnaval tem origem no entrudo português, que era uma festa de 3 dias e que marcava o início (entrudo = intróito = começo) da quaresma, período em que a Igreja Católica restringe o consumo de carne, como forma de penitência até a Páscoa. Era assim, também uma festa de liberdade, onde se festejavam esses últimos dias de abundância "carnal" com abusos de todos os tipos.

Entrudo

Sim, uma festa que marca um período religioso de penitências e reflexões é estranhamente marcada por sujeira, abuso e violência. Bem típico da hipocrisia do homem - mesmo do dito religioso.

Uma festa cheia de contradições. E foi isso que desembarcou no Brasil em uma das caravelas que atracaram em nossas costas na época colonial.
Aqui, essa festa sofreu influências das festas carnavalescas renascentistas que aconteciam na Itália e na França e agregamos ao nosso entrudo o uso de fantasias.

No século XX foram somados elementos africanos que se exibem hoje em nossos ritmos carnavalescos. Nosso carnaval foi enriquecido com outras culturas. Algo bem brasileiro do qual me orgulho.


Hoje no Brasil o carnaval é festejado de diferentes maneiras em cada canto do país. Entretanto, o carnaval que o Brasil exporta e que é responsável por rentosos turistas é o desfile do Rio de Janeiro.

Desfile de Escola de Samba no Rio de Janeiro

O carnaval da Sapucaí é uma coisa louca. É uma indústria de imagem, marcada por celebridades (algumas ainda aspirantes) vestindo camisetas estilizadas e aglomeradas em uma redoma de vidro à beira da avenida, porém, totalmente entregues aos abusos e constrangimentos dos reles mortais. Algo assim, tão longe e tão perto. Nessa avenida as comunidades populares desfilam seu exuberante trabalho artesanal, fruto de um ano todo, marcado por glamurosas alegorias que acabam por contrastar com corpos excessivamente nus - muitos de celebridades que saíram da tal redoma e decidiram se misturar.

A nudez é uma expressão artística - assim como as alegorias. Um corpo nu pode dizer muitas coisas. Entretanto, essa nudez que confrontamos a cada segundo durante esses dias não é uma nudez bem articulada e muito menos democrática, uma vez que exclui de sua panelinha corpos não padronizados esteticamente.

Carnaval, pintura de Aldo Luiz
A nudez aqui então passa não a expressar qualquer tipo de manifesto social, mas somente uma empobrecida apelação erótica. Com tudo isso, só o que vemos nesse período de carnaval é esse clima de pseudo-orgia não só bem aceita mas incentivada num ambiente onde tudo pode (afinal, é carnaval).

Tá, sem moralismo, é válido, mas muito pobre frente a tudo o que o carnaval poderia oferecer. Contudo não podemos dizer que perdeu a sua essência, afinal, mantém a tradição de festa da carne, além de favorecer situações de abusos, honrando seu inspirador, o entrudo.

É a empolgação. Eu acho empolgação o máximo! Mas vender uma empolgação irresponsável, sem freios e sem consequências era pra dar cadeia, não??


O nosso governo gasta rios de dinheiro anualmente por conta dessa empolgação sem dono. A campanha do Ministério da Saúde para o carnaval desse ano frisa o seguinte: "Na empolgação rola de tudo. Só não rola sem camisinha". Então tá.


Campanha do Ministério da Saúde para o Carnaval 2012. Primeiro ano abordando também travestis.

Alguém já disse para o Carnaval o que eu gostaria de dizer. Esse alguém foi Fernanda Young. E a carta enviada é a que vocês lêem abaixo.

Bom carnaval!
E se rolar, use camisinha!
Afinal, é Carnaval!


"Para o Carnaval
Todo ano é a mesma coisa: você chega, fica aqui três dias e aí vai embora. Volta um ano depois, todo animadinho, querendo me levar para a gandaia. Olha, honestamente, cansei.
Seus amigos, bando de mascarados, defendem você. Dizem que sempre foi assim, festeiro, brincalhão, mas que no fundo é supertradicional, de raízes cristãs, e só quer tornar as pessoas mais felizes.
Para mim? Carnaval, desengano... Você recorre à sua origem popular e incentiva essas fantasias nas pessoas, de que você é o máximo, é pura alegria, mas não passa de entrudo mal-intencionado, um folguedo, que nunca viu um dia de trabalho na vida.
Acha-se a coisa mais linda do mundo e é cafonice pura. Vive desfilando pelas ruas, junto com os bêbados, relembrando o passado. Chega a ser triste.
Carnaval, você tem um chefe gordo e bobalhão que se acha um rei, mas não manda em nada. Nunca teve um relacionamento duradouro. Basta chegar perto de você e temos que agüentar aquelas fotos de mulheres nuas, que são o seu grande orgulho.
Você não tem vergonha, não?
Sei que as pessoas adoram você, Carnaval, mas eu estou cansada dos seus excessos e dessa sua existência improdutiva. Seja menos repetitivo, proponha algo novo. Desde que o conheço, você gosta das mesmas músicas. Gosta de baile. Desculpa, mas estou pulando fora.
Será que essa sua alegria toda não é para esconder alguma profunda tristeza? Será que você canta para não chorar? Tentei, várias vezes, abordar essas questões, e você sempre mudou de assunto. Ora, chega dessa loucura. Reconheça que você se esconde atrás de uma dupla personalidade.
Cada vez mais e mais pessoas ficam incomodadas com essa sua falsa euforia, fique sabendo.
Conheço várias que fogem, querendo distância das suas brincadeiras.
Você oprime todo mundo com esse seu deslumbramento excessivo diante das coisas, sabia?
Por exemplo, essa sua mania de camarote. Onde os vips podem suar sem que isso pareça nojento.
Onde se pode falar torto sem que seja errado. Todos vestidos de uniforme, senão não entram. Todos doidos para passar a mão na bunda um do outro.
Essa é a sua idéia de curtir a vida?
Menos purpurina, Carnaval. Menos bundas, menos dentes para fora. A vida é linda, mas a “lindeza do lindo mais lindo que há no lindíssimo” é um saco. Um pouco de calma e autocrítica nunca fez mal a ninguém. Tudo muda no mundo – por que você insiste em continuar o mesmo?
A harmonia vem da evolução, não das alegorias. Chegou a hora de rodar a baiana para não atravessar na avenida.
Como será amanhã? Responda quem puder."
Texto de Fernanda Young



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Comissão de Frente da Unidos dos Viajantes!

Compartilhar no Twitter!Chegou mais um carnaval e como sempre muita gente deixa pra se programar em cima da hora, mas hoje em dia com a internet é possível escolher, organizar e reservar tudo em alguns cliques! Ainda está perdido? Deixo algumas dicas de uma turma que pode ajudar você a fazer as malas ou colocar [...]

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