Novas regras para visto de casado !! :)


É com muita alegria que eu escrevo esse post. Depois de um longo periodo de discussao, as regras para o visto de casada foram alteradas.
As alteracoes serao validas apartir de 15/05/2012 (mas quem ja entregou os documentos a poucos dias, pode entrar em contato com o ministerio de integracao e pedir que seu processo seja analisado pelas novas regras).
Entre outros pontos, o que mudou foi:                                                                                                          
- Nao precisa mais pagar taxa pra entregar os documentos. O valor anterior era uns 8000 coroas. Nem pra renovar, visto permanente... uma dilicia, ne nao?

- Nada mais de sistemas de pontos (Todassss comemoram!!!). Mas em contra partida, parece que os pombinhos precisam ter mais de 24 anos cada um.

- Antigamente tinha um negocio de 28 anos de Dinamarca, agora sao 26 anos. Nao me pergunte o que significa isso especificadamente, mas é algo do tipo que a parte dansk tem que ter morado aqui 26 anos, ou ter morado aqui legalmente por 26 anos - no caso de estrangeiro.

- Nada mais de indvandringsprøven. Na verdade a prova continua, so que agora a prova vai ser 6 meses depois de visto de casada. (Beeeeemmmm mais justo, ne nao?)

- Reducao do valor da garantia de 100.000 dkk (Hellowwww, quem tinha esse monte de dinheiro ne? haha) pra 50.000 dkk... Dinamarques continua valendo mais que ouro em meninas! ha!

É ou nao é uma noticia otima???

Quem quiser acompanhar o post anterior pra saber das antigas regras e o que a gente precisa trazer de documentos do Brasil, de uma olhadinha aqui oh: 


As novas regras podem ser lidas aqui: 




Acho que da pra enxergar uma luzinha no fim desse tunel agora nao é mesmo???

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PALAVRA! 2012-05-10 08:48:00

Springtime at home




Fotos: Claret Soares Christensen

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Pai

A vida é feita de momentos. É isso que sempre nos falam. Posso dizer que minha vida foi marcada por varios momentos. Há um pouco mais de 28 anos atras uma ligacao mudou a minha entao curta vida. Mas infelizmente foi desse mesmo jeito que domingo dia 8/4 minha vida tambem mudou.

Claro que eu sabia que meu pai nao estava tao bom de saude assim pra correr uma maratona. Coisa que ele nao faria nem se estivesse em top form. Mas a gente sempre tem esperanca de que as coisas voltem pro seu ritmo normal.

Desde o sabado que eu nao dormia direito depois da ligacao da minha tia kelly que eu mencionei no outro post. Ja tinha comprado passagem pra dia 12 na esperanca de que as coisas iriam sim dar certo. Umas poucas houras antes deu receber a ligacao que me deixou orfã de pai, ainda havia esperancas. Entre 11 da manha e as 16 daquele mesmo domingo eu fui uma filha esperancosa.  Sai com meu marido pra espairecer, fizemos janta, comemos. Ate que o telefone tocou. Ainda revivo cada segundinho na memoria.

Eu nao queria acreditar. Como que é possivel que isso tenha acontecido em tao poucas horas. Eu nao sei explicar a sensacao, mas é de literalmente ficar sem chao, sem rumo. A ligacao em si nao durou tres minutos eu acho. A situacao era tao surreal pra mim que eu fiquei uns minutos calada – desesperada por dentro.
Liguei meu computador pra comprar outra passagem pra vir pra casa. Uma viagem que eu nunca gostaria de fazer. A mais dolorida de todas. Aquela que a gente nunca se prepara.

Entre o telefonema da minha tia e eu sair pela porta da minha casa nao se passaram 4 horas. Fiz tudo o mais rapido que pude na esperanca de poder chegar a tempo de dizer o meu adeus. São tantas coisas que eu gostaria de ter dito. Infelizmente nao consegui chegar. Pedi apenas que tirassem fotos pra eu ver. Nem sei porque fiz esse pedido. Mas quando as vi, nem o reconheci.  

Desde que sai de Aarhus ate chegar no Rio de Janeiro foram 23 horas. A viacao Rio Doce conseguiu o feito de levar 11:30 entre o Rio de Janeiro e Governador Valadares. Mais rapido que isso eu nao tinha condicoes nenhuma de chegar em casa. É o preco que se paga por morar tão longe.

Não desejo a ninguem esse tipo de viagem. Doi, deixa a gente completamente sem rumo. Eu andava pra la e pra ca dentro de casa ajudando o jannick a arrumar minha mala, comprando passagem, falando com uns amigos no Brasil – mas totalmente no piloto automatico. Ate aquelas arranjos de flores eu lembrei de pedir minha amiga Larissa pra comprar por mim.

Eu sinceramente não sei nem explicar como consegui chegar inteira em casa. Eu me concentrava pra nao chorar sabe, pq não ajuda em nada viajar chorando o tempo inteiro. Cheguei no Rio e Sangela estava la me esperando. Detalhe é que eu nunca havia a visto na minha vida. Nos conhecemos pelo blog. Conversei de tudo, mas evitei falar do assunto pai.

Eu ja sabia que choraria quando chegasse em casa. Cheguei na rodoviaria e de la mesmo minha tia me falou que minha avo havia “esquecido” que meu pai faleceu e que era pra nao falar nada por enquanto. Ai doeu. Chegar em casa e nao chorar foi complicado. Achei que era ali que eu iria desabafar, chorar, xingar o inss por ter contribuido pro que aconteceu (longa longa historia). Mas minhas tias tinham tambem outras coisas pra me contar que nem vou escrever aqui porque me dá um nervoso só de pensar. Tem gente que nao respeita ninguem e nem situacao nenhuma mesmo.

Entrei em casa e fui no quarto do meu pai. As coisinhas dele tudo lá sabe. O quarto cheio de remedio, aqueles papeizinhos de insulina. O quarto com cheiro de hospital.  As roupas dele precisaram ser todas apertadas. Meu pai tava tao magro, mas tao magro – efeitos da hemodialise. Não tinha mais vontade de comer, nao queria mais conversar. Acho que queria era descansar, que tudo aquilo passasse logo. A gente que é egoista e quer manter as pessoas que ama dentro de uma redoma. Mas as vezes não dá. Meu pai, eu acho, desistiu.

Deitei la cama dele. Fiquei olhando la pras roupas dele e nem sei quanto tempo fiquei ali. Ate minha tia entrar com a minha avo. Era hora de conversar com a minha avo.
Doi contar pra ela toda hora que meu pai morreu. Tem horas que ela simplismente esquece – se auto bloqueia sei la – e chama meu tio pra perguntar se ele foi no hospital ver meu pai. Ou entao, ela esquece que ele esteve doente. Minhas tias precisaram sair outro dia e eu fiquei a tarde inteira com ela. Tinha hora que ela falava assim: Essa era hora do seu pai chegar da rua ne minha filha. Tava ai andando, foi no hospital e nem saiu mais. Que nem seu avo.

Nao tem jeito, ela prefere nao lembrar do meu pai doente. Foram varios anos, e os ultimos meses foram doloridos. Pra todo mundo ao redor.

Mas nós precisamos ser fortes. Ainda tem a minha avo que precisa de todo o nosso cuidado.

Mas eu sei que doi. Doi saber que domingo que vem eu vou ligar la em casa e so vao ter tres pessoas pra eu conversar. Que nao vou poder pedir pra chamar meu pai, que nao vai ter ninguem pra me contar como o meu atletico é uma vergonha pros mineiros (isso é claro na opiniao de um pai cruzeirense haha). Doi saber que meus futuros filhos nao conheceram meu pai, que tenho certeza teria sido o melhor avo do mundo.
É um monte de se, se, e se que se passa na cabeca da gente. E a gente vai tentando retomar a nossa vida, tentando ser forte, consolando um aqui outro ali, na esperanca de que se a gente nao pensar muito no assunto, as dores, a saudade vai passar. Mas infelizmente ate hoje nao funcionou.

O que me conforta eh saber que eu fui uma boa filha, q meu pai foi muito bem cuidado e que fizemos tudo que estava ao nosso alcance. O que fica mesmo é a saudade, uma dor que infelizmente acho que nunca passará.

Muita gente que perdeu os pais vieram me dar conselhos sabe. Eu ouvi, agradeci um por um, mas ainda assim me achei muito nova pra ficar sem pai. Meu pai ainda tinha muita coisa pra viver. Mas nao da pra colocar todo mundo que a gente ama numa redoma nao é mesmo? E infelizmente foi a vez do meu pai.
Voltar pra casa (Dinamarca) tambem é dificil. Ajuda muito saber que em julho eu ja estou de volta. Meus sogros e eu tinhamos falado tanto de fazer uma “foto de familia”. A fotinha ainda vai ser feita, mas infelizmente a familia estara desfalcada.

Eu sei que as coisas vao voltar ao seu “normal” sabe. Foi assim com meu avo, com minha outra avo. Mas eu era pequena sabe, e crianca nao pensa mto nessas coisas. Eu criei o habito de conversar com ele aos domingos, fazer sempre as mesmas perguntas esperando ouvir as mesmas respostas. E agora isso ja nao acontecera.

Eu sei tambem que preciso ser forte. Pela minha avo, minhas tias. Por mim.

É uma situacao muito dificil que eu daria tudo que tenho para nao ter que ter passado por ela. Mas assim nao é a vida.

Pai, ate logo!!!

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PALAVRA! 2012-04-19 08:54:00


Big Wheel Night 2012














Fotos: Claret Soares Christensen

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Telefonemas que a gente nao quer receber


Da serie de telefonemas e momentos que a gente nunca gostaria de passar por eles.

Sabado, 7 de Abril.

Passei o dia de sexta e sabado tentando ligar aqui em casa. Sabado de tarde minha tia me liga.

- Ludi, nao fica desesperada, mas seu pai ta internado no hospital respirando com aparelhos. Eu nao vou esconder nada de voce, mas o medico acha que ele tem poucas chances de sair dessa. 

Depois dessa parte nem eu sei o que entendi mais. Ela falava algo e eu so sei que chorava. Jannick se aproximou, nao ouviu a conversa, mas sabia do que se tratava. 

Minha tia ainda falou algo de transfusao de sangue, que se desse certo meu pai tinha alguma chance. Disse tambem que precisa ir conversar com o medico. 

E assim, meu dia de sabado mudou totalmente. 

Depois da  conversa, foi eu comecar a escrever emails pros meus professores, chefes, amigos na dk, no brasil. Estava decidida a vir pra casa. Fiz reserva de passagem pra quarta feira. Quase nao dormi e quando resolvi acordar, tive que esperar ate o meio dia na Dinamarca pra ligar aqui em casa. 

Domingo, 8 de Abril.

Telefonema 1: Meio dia lá, sete horas aqui eu liguei. Já não estava aguentando mais. Minha tia atendeu, disse que o medico havia dito que se ele nao ligasse durante a noite dizendo que meu pai havia falecido, era pq a transfusao tinha ajudado e que ele tinha uma chance de sair dessas. Com ou sem sequelas, estavamos alegres pela pequena chance. Desliguei porque ela tinha que ir no hospital ver o novo boletim medico dele.

Telefonema 2: 11 da manha no Brasil. Ludimila, seu pai está um pouquinho melhor. De tarde vou levar a mãe (minha avo) pra ver ele. Te ligo depois.

Telefonema 3: 4 horas aqui, 9 da noite lá na Dinamarca. Tava ate assistindo tv – sem muito prestar atencao pro que estavam falando, quando meu telefone toca. Na hora que eu ouvi o “minha filha”, eu ja sabia que as coisas nao estavam bem. 

- Minha filha, seu pai faleceu. Quando a Tania (minha outra tia) chegou no hospital, ele ja estava morto. Vem pra casa o mais rapido que vc puder. 

E assim foi a conversa, minha tia certamente deve ter falado outras coisas – lembro dela pedir pra chamar o jannick. Os dois nem falam o mesmo idioma. 

Mas nao tinha mais o que ser dito. Nao tinha mais o que fazer. Era isso. Apartir daquela conversa eu me tornei orfä de pai.



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