Categoria 'saúde'

Aulas pra mamães de primeira viagem

Antes de engravidar, eu já sabia que, ao chegar em casa do hospital, as mães recebiam a visita de enfermeiras do CLSC (Centre locale de services communautaires). Rolou comigo e foi ótimo! Receber dicas de profissionais experientes (no meu caso, ainda por cima, super simpáticas) sobre como lidar com aquele saquinho de pelanca (alimentação, higiene, temperatura da casa etc.), o que observar pra saber se está tudo bem e quando procurar um serviço de saúde é uma maravilha pra quem não tem lá muita ideia de como "funciona" um recém-nascido.

Aí elas vão embora da sua casa e você fica louca sozinha por conta própria, né?

Não!

Ainda rolam uns telefonemas pra saber se vai tudo bem com a mãe e o bebê (a depender, elas até perguntam sobre o tal do rapaz que mora na mesma casa que vocês. O pai, sabe?) e te lembrar de que você pode levar seu rebento pra pesá-lo sem hora marcada pra saber se ele tem ganhado peso.

Coisa linda, né, minha gente? Eu achei!

Bom, aí você começa a se adaptar à (falta de) rotina do pequerrucho e o povo do CLSC esquece completamente de você, né?

Não de novo!

Fora o fato de que o corpo de enfermeiras continua lá pra qualquer situação que não exija a presença de um médico (incluído aí o fato de que elas não emitem receitas pra compra de medicamentos), você ainda pode participar de um curso pra mamães de primeira viagem.

Nina e eu começamos as nossas aulas essa semana. E adoramos! Como disse no meu blog sobre maternidade (pois é! Vai me fazer uma visita no Pare de tomar a pílula, gente!), a utilidade do curso transcende o conteúdo. Tão ou mais bacana do que as dicas práticas que aprendemos com a enfermeira que finge que é natural uma aula em que metade dos participantes chora, o contato com outros pais e mães que estão vivendo a mesma situação que você é maravilhoso! Todo mundo perdidinho e babando igual faz você se sentir uma pessoa quase normal super bem.

Para algumas mulheres, o fato de estar longe da família (preciso dizer que só uma mãe - um pai, na verdade - das cerca de 10 participantes é daqui?) e o perigo da depressão pós-parto (como bem lembrou uma amiga nos comentários lá no outro blog) já fazem esses encontros semanais valerem a pena demais!

Não sei se esses cursos são oferecidos em todos os bairros, mas é um direito de todas as recém-paridas desse Québec de meu deus. Se joga! Ah! É de graça, hein?

Nina pronta pra ir pra aula.
Olha ela aí, gente, debaixo da manta, deitadinha no bebê conforto,
que está dentro do carrinho, que, por sua vez,
está coberto pela capa plástica pra proteger do vento e da neve.
Ali, ó. Super prático!

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Sistema de saude canadense

Acho que uma das maiores dificuldades na minha adaptação ao Canadá foi a saude. Na verdade ainda estou tendo esta dificuldade de vez em quando. Aqui vc não pode ir em qualquer médico à sua escolha. Existem os médicos de familia que são na verdade uma espécie de clinico geral, vc liga e vê se eles estão aceitando pacientes e se sim, faz um cadastro e ele passa a ser seu médico.

Para consultas de rotina o médico de familia é muito bom. Vc vai, marca seu horario, ele já tem a sua ficha e faz aqueles exames normais. No primeiro ano aqui eu nao tive nenhum médico de familia (para mim e para o sergio). Só no final de 2009 que encontrei por acaso um médico canadense.

Ele me atendeu no pronto socorro por um problema que tive no olho e me deu o cartão dele. Liguei e passei a ser paciente dele. Ele parecia muito bom até o dia que sumiu!!! Tentamos marcar consulta com ele por 3 meses e a secretaria dizia que ele estava de ferias. Após estes tres meses o sergio foi até o consultorio e então a secretaria admitiu que ele nao estava atendendo mais porque teve algum problema, mas ela nao falou o que era. Até hj, quando alguem da area da saude fica sabendo que ele era nosso médico, faz aquela cara de "que chato", mas ninguem conta o que aconteceu, rs.

Então passamos mais 6 meses procurando e agora eu consegui um que parece bem legal. O problema é que normalmente o médico de familia não atende sem hora marcada. Alguns têm esquema de encaixe, como no Brasil, mas o meu nunca dá pra encaixar. Nas emergencias, tem que passar com qualquer medico que esteja na clinica porque ele nunca tem horarios reservados para estes casos.

Eu particularmente achei este meu novo médico mais cuidadoso que o anterior. O exame físico foi mais detalhado, ele fez mais perguntas, mas eu acho interessante que nenhum dos medicos que tive examinam a mama das mulheres, a menos que vc peça.

Acho que eu estava acostumada que o meu médico no brasil era ginecologista, então nada mais natural do que ele examinar a mama. Mas aqui eles nao costumam fazer. E mesmo para mulheres com casos de cancer de mama em primeiro grau na familia, não é muito comum eles pedirem mamografia todo ano. Eu estranhei um pouco porque já fazia mamografia anual desde que minha irmã teve cancer de mama, mas acabei me acostumando. De qualquer forma, agora eu faço porque já tenho 40 anos.

O fato é que é preciso um certo traquejo para se dar bem no sistema de saude canadense. Confesso que o curso de farmácia tem me ajudado muito a tomar as decisoes de onde ir em cada caso.

Mas e nas emergências? Bem, aí cabe a vc avaliar qual a urgência deste atendimento e o que vc precisa: tentar uma consulta com seu médico de familia, ir para uma walk in clinic (clinicas com médicos que atendem sem hora marcada) ou vc pode ir a um hospital.

Quando quebrei o pé, não tive dúvida, fui direto ao hospital. Eu sabia que tinha quebrado e que precisava de raio X. Fiquei umas 4 horas no hospital e o atendimento foi muito bom: não ficou devendo em nada ao atendimento que eu teria no Brasil.

A semana passada eu estava com sinusite, morrendo de dor na face inteira: liguei para meu médico de familia e como esperado ele não tinha horario. Me ofereceram outro médico para o dia seguinte, mas eu nao estava a fim de esperar mais 24 horas sem medicação uma vez que eu sabia exatamente o que eu tinha e o que eu precisava.

Insisti um pouquinho e ela me disse que a enfermeira da clínica poderia me atender. E eu já perguntei se ela poderia prescrever antibiotico (que na verdade era o que eu precisava). A secretaria disse que sim e eu fui lá falar com ela.

Sai de lá com minha receita e de quebra uma amostra gratis de soro para lavar o nariz. Em 30 minutinhos meu problema estava resolvido.

Nós já tivemos varios problemas por aqui: médicos incompetentes, médicos que falam ingles com sotaques incompreensiveis, médicos teimosos e médicos covardes que te mandam para o hospital porque ficam com medo de assumir a responsabilidade.

Mas com um pouco de paciência e frieza para analisar cada situação, nós temos conseguido procurar a ajuda certa.

Para as crianças, nós temos pediatra. Eu acho importante ter um pediatra. E nossa pediatra é brasileira, o que nos ajudou quando o idioma era uma dificuldade e ajuda agora por causa das diferenças culturais. As vezes eu fico com preguiça de ir na consulta porque fica em outra cidade. Mas sempre saio do consultorio super tranquila e nao a troco de jeito nenhum.

Nas emergências com as crianças, eu tb analiso o problema antes de decidir para onde ir. Uma febre persistente sem sintoma conhecido é caso para a pediatra, uma febre com gargante infeccionada ou dor de ouvido, uma walk in clinic resolve, afinal eu já sei qual a doença e só preciso do remedio certo e aqueles casos em que eu sei que um exame mais detalhado vai ser necessario: hospital.

Por enquanto tem dado certo. Mas nas vezes em que escolhi a ajuda errada, como castigo tive horas e mais horas de espera vendo um monte de gente passando na minha frente.

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Reproduzindo no Québec

Dia 15 eu pari. Dei à luz uma menina, um troço, uma delícia, a perfeição num corpo miudinho. Mas não é exatamente sobre ela que quero falar, embora, obviamente, ela seja meu assunto favorito. Sobre essa pessoinha, que tenho a honra de chamar "minha filha" (de boca cheia, evidentemente), falarei num outro blog, que já tá pronto, mas eu tô sem tempo de começar a escrever. Com os leitores do Hemisfério, eu quero falar um pouco sobre a minha experiência com o sistema de saúde do Québec voltado para mocinhas grávidas e recém-paridas.

Quem lê esse espaço há mais tempo sabe que eu tenho uma médica de família. Pois é! Eu tenho. Daí que quando engravidei, todo o meu pré-natal foi feito com ela. Como, felizmente, a gravidez correu na boa, não precisei visitar nenhum especialista, mas, se fosse necessário, caberia à minha médica de família me encaminhar pra um.

Ao contrário do que acontece na rede particular do Brasil, em que todo mês rola uma ultrassom, aqui são só duas ultras durante toda a gestação. Uma no 5° mês e outra no 8°. Pra quem quiser, claro, é possível pagar por outros exames do gênero em clínicas privadas.

As visitas ao médico são mensais até o 30a semana, quando passam a ser quinzenais até a 37a, quando, enfim, passam a ser semanais. Mas e o que acontece nessas consultas? Bom, pelo menos comigo elas foram assim: pesa; tira pressão; ausculta coração e pulmões; examina a urina pra ver se tem vestígios de sangue, proteína e glicose; ouve o coração do bebê (uma versão pobrinha do ultrassom) e bate um papinho pra tirar dúvidas e saber como anda a barriguda. Entre uma consulta e outra rolam uns exames de laboratório.

Algumas mulheres optam por terem uma doula (accompagnante à la naissance em francês e doula mesmo em inglês) e/ou uma parteira (sagefemme em francês, midwife em inglês) pra acompanharem a mulher durante a gestação e, principalmente, durante o parto. O mais bacana é que o trabalho dessas profissionais é regulamentado no país e permite que a mulher tenha seu filho no lugar em que ela achar mais confortável: no hospital, numa casa de parto ou na sua própria casa.

Eu tive a sorte de parir no St-Mary's Hospital. Explico porque me sinto sortuda: o St-Mary's é considerado "Amigo da Criança", selo do Unicef para instituições de saúde que respeitam as escolhas da mãe e estimulam a amamentação exclusiva durante os 6 primeiros meses de vida da criança. Bacana, né?

Nas salas de parto do hospital, além de todo o aparato médico convencional, um chuveiro com ducha relaxante (infelizmente não tem banheira) e a possibilidade de contar com alternativas para alívio da dor das contrações: bola suíça e tocador de CD (disponíveis na própria maternidade), acupuntura, massagem, caminhadas, posições de yoga... Lá vale de tudo pro conforto da mãe. Aliás, recebemos um material do governo no qual está claramente escrito que a mulher tem o direito de fazer o que bem entender durante o momento do parto. Seus desejos devem ser atendidos, e isso inclui coisas simples como fazer um lanchinho no meio do trabalho até algo mais complexo, como optar por não sofrer intervenções médicas diversas associadas ao parto no meio hospitalar.

Mas e o pós-parto?

Também não tenho do que me queixar. Além de ter contado com o apoio da equipe de enfermeiras do St-Mary's, que estavam sempre disponíveis e, de quebra, com um sorriso cúmplice no rosto, médicos e residentes do hospital se mostraram super cuidadosos com nós três. Sim, a mãe recém-parida diante da novidade do primeiro filho, o bebê recém-chegado a esse mundo e o pai. Aliás, o pai é super bem acolhido no hospital, tirando o fato de que o coitado dorme numa poltrona. O papel dele durante todo o parto e o pós é respeitado e, sobretudo, estimulado pela equipe. Maravilha!

Além disso, antes de saírmos do hospital, eles entram em contato com o posto de saúde do bairro onde mora a nova família para que enfermeiras visitem bebê e mamãe em casa. Isso mesmo! Em casa. Daí que tivemos alta numa sexta e, na segunda, duas enfermeiras foram até nossa casa para uma visita de cerca de 1h30. Além de um bate-papo sobre como anda a adaptação dos pais a essa nova realidade, dicas sobre amamentação e um questionário detalhado sobre quantos cocôs e xixis o bebê faz por dia fazem parte do pacote desse encontro. Ah! E ainda dá pra saber o peso do bebê, pois as enfermeiras andam com uma balança portátil.

No caso de mães que querem amamentar e têm alguma dificuldade, existe a clínica de amamentação do St-Mary's, que conta com profissionais especializadas no assunto. Uma maravilha pra quem tá com os peitinhos preguiçosos!'

Falando em preguiça, se vocês me permitem vou ali curtir uma preguicinha a duas.

Salut!

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Sistema de saúde canadense, parte III


Como disse na postagem da parte I, o sistema de saúde canadense é sempre algo bem polêmico. Tem gente que diz que é péssimo, tem gente que diz que é suficiente, tem gente que diz que é bom, etc. A conclusão que eu cheguei já faz muito tempo é que é tudo isso pois varia com diversos fatores como, por exemplo: gravidade do problema, o próprio problema, cidade, dia, horário, local de atendimento, profissional que atende, referencial de experiências anteriores, etc.

Na verdade, o sistema de saúde que considero é tão abrangente que começa em casa. Uma alimentação saudável aliada a atividades esportivas (viva a patinação!) colabora muito na prevenção de doenças. Ao menos no inverno, vitaminas e tomar água de tempos em tempos também previne. Tenho uma garrafa no trabalho para evitar ficar com a garganta seca por causa da baixa umidade. Mesmo assim, quando a garganta começa a reclamar, uso pastilhas Cepacol (aqui não tem própolis) para cortar logo no começo. Quando o problema é no nariz, um spray de solução salina regularmente lava tudo e faz milagres.

Depois de um ano e nove meses posso dizer com mais segurança que apesar do rigor do clima canadense, adoecemos consideravelmente menos que em Fortaleza. Mas, inevitavelmente, adoecemos. Nessas horas, começamos o diagnóstico em casa mas com o devido cuidado de não ultrapassar nossa capacidade e responsabilidade, afinal, não somos profissionais. Depois, vamos subindo a escala de acordo com o que acontecer.

Vou contar outro caso prático para ilustrar um exemplo de utilização dos vários recursos do sistema de saúde. O Davi teve uma febre leve. No começo, não é fácil saber a causa. Já tendo sido recomendado de outra situação, demos um antitérmico chamado Advil que temos em casa. Aqui em Québec não tem farmácias 24 horas, logo, é bom ter alguns remédios que possam ser úteis até o dia seguinte.

Passados três dias com alternância entre febre fraca e ausência de febre, ele começou a ficar com a secreção típica das sinusites e a  professora dele disse que tinha mesmo um virus rondando a escola. Para que ele possa dormir melhor, almofadas em baixo do colchão para deixar a cabeça mais alta como recomendado por uma enfermeira da emergência da outra ocasião.

Mas na escola, ele dorme na horizontal e acabou acordando com dor no ouvido. Chegando em casa, liguei para o Info-Santé Québec, no número 811. A enfermeira do atendimento fez várias perguntas e chegou à conclusão que eu suspeitava: do jeito que estava não era caso de emergência. Disse que o Advil aliviaria e recomendou um pano quente ou frio para ajudar, o que desse mais resultado. Mas se piorasse, disse ela, leve-o à emergência. Perguntei se seria indicado o CHUL, onde levei da outra vez e ela confirmou. Enquanto eu ligava, ele estava cada vez melhor, logo, poderia dormir tranquilo.

No dia seguinte, poderia levá-lo a uma clínica que fica no Place de la Cité, mas preferi o médico de família. Em geral, ele atende com rendez-vous/hora marcada, mas também atende sem, sujeito a espera maior ou mesmo não ser atendido. Cheguei às 13h30 e o consultório abria às 14h00. Fui munido de carrinhos, livros, água e comida e passamos bem as três horas de espera (desde as 13h30), já que não tive como marcar um rendez-vous. De fato, ele tinha uma tudite (rinite, laringite, faringite, e tudo mais...) e o médico passou o antibiótico.

Ao comprar o remédio, o farmaceutico sempre explica muito bem como administrar o medicamento e às vezes dá até uma folha de instruções. Me perguntaram se eu tinha um assurance medicaments/seguro medicamentos privado ou se usaria o do plano de saúde público. Mostrei a carteirinha do seguro complementar fornecido pela empresa e o preço do remédio caiu de 25,75$ para 2,58$.

A informação tem um papel importante nessa área e algumas pessoas têm más experiências também por mau uso do sistema de saúde. Experimentando e conversando, pegamos macetes e fazemos o melhor uso possível do que está ao nosso alcance. Mesmo sabendo que o sistema não é perfeito, até agora não tive maus relatos na nossa cidade. E o Davi está novamente derrubando a casa!


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Assurance Maladie é válida em British Columbia?


Oi gente,
Tivemos uma experiência aqui em Vancouver sobre a saúde e achei legal relatar.
Como a gente morava em Montréal, nossa carteirinha de saúde era do Québec. Quando viemos para Vancouver, acreditamos na tal história de que a carteira de saúde valeria para a parte inglesa também. Na verdade, não foi bem assim que aconteceu com a gente. 

Fiquei um pouco doente e tive que ir a uma clínica pertinho de casa sem hora marcada. Chegando lá, mostramos a carteirinha, e a recepcionista disse que NÃO ACEITAVA, dai teria que pagar $100 a consulta. Paguei e fui muitíssimo bem atendida por um médico que, por coincidencia, é de Montréal. Quase nem esperei para ser chamada. Aproveitei e perguntei ao médico sobre a carteirinha de Québec não valer em British Columbia. Ele disse que realmente não vale, EXCETO EM CASOS DE EMERGÊNCIA. Como o meu não era, tive que pagar. Ele passou alguns exames e, claro, o laboratório também não aceitou a tal carteirinha. Tive que pagar também pelos exames. A sorte é que durante esse meio tempo recebemos o seguro de saúde  particular de Mitsuo. Pra mim não faz tanto sentido o que ocorreu porque estamos em um mesmo país, temos PR CARD e carteirinha de saúde.

Bom, fiquem atentos, ok?!
Beta.

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