Categoria 'Familia'

O efeito Kübler-Ross

Olá pessoal !! há muuuito tempo que não escrevo por aqui se não para noticiar alguma novidade do processo. Como o processo (burocrático) chegou ao fim, acabamos deixando de lado o blog, mas não esquecemos ele completamente.

Eu (Mauricio) acabei ficando saturado nos últimos 2 anos, foram tantas decisões e mudanças que não me empolgava muito em escrever. O tempo passou, idéias se acumularam e agora é hora de transbordar um pouco ;)

Algo que para nós tem sido muito curioso é observar o olhar do outro sobre toda essa história de processo Québec. Mais especificamente o processo de compreensão/aceitação se repetiu no nosso caso e sempre me pareceu muito com aquele processo do luto, que eu nem sabia o nome direito e encontrei como sendo o processo de Kübler-Ross. Páááááára tudo !

< cláusula de falta de compromisso teórico >

Pausa para um aviso ! não sou especialista e não quero fazer aqui nenhuma análise aprofundada. Apenas estou reproduzindo um pensamento (veja bem PENSAMENTO !!! NÃO TEORIA!!!) SEM compromisso teórico algum.

Dito isso, se algo que eu disser for muito idiota , por favor me corrijam !

</cláusula de falta de compromisso teórico >

O que eu gostaria com este post é relatar a nossa percepção e assim ajudar quem está em meio ao processo para saber o que poderá enfrentar, para mim teria sido menos tenso certas etapas se eu já tivesse pensado melhor sobre essas possibilidades de comportamento.

Segundo o que eu futriquei na internet os 5 passos são : negação, raiva, barganha, depressão, aceitação.

De modo geral, os familiares mais próximos passaram por essas fases, ao descobrirem simplesmente faziam de conta que aquilo era uma aventura de duas crianças que logo iria passar. A raiva eu diria que veio em forma de um sentimento de estarmos virando as costas para a família. No nosso caso a barganha foi pouca (risos) mas a depressão para alguns tem sido longa chegando somente agora, após 3 anos de processo na etapa de aceitação.

Ao nos afastarmos um pouco daqueles que são mais próximos, os 5 passos ficam um pouco mais complicados de serem identificados, mas alguns são beeeem visíveis ;)

Para um grupo significativo de conhecidos nossos, percebemos reações diversas, as quais vou resumir.

A negação foi a mais duradoura, pois esse grupo ao nosso entender estavam “pagando pra ver” até o final mesmo. Simplesmente ignoravam (ou ainda ignoram) o as novidades BOAS do processo, sempre perguntando como anda a questão mas ignorando completamente a notícia de que tudo terminou bem.

Alguns ficaram na raiva até hoje , ao menos é essa a conclusão que eu chego quando a pessoa pára de falar comigo no dia seguinte a notícia de que o processo tinha terminado. Outros tiveram reações mais exaltadas, nos acusando de ingratos para com a família e até rolou um lance nacionalista.

A barganha fica por conta daqueles que não falavam há anos (5 ou mais !) e não davam a mínima para nós e de uma hora pra outra começam a perguntar como é para ir visitar, se podemos enviar “encomendas” de lá, ou seja, algo que os familiares e melhores amigos não fizeram, esses foram descarados na hora da “barbadinha” :D

Eu acho completamente normal a reação dos mais próximos, o que eu espero de alguém que não seja tão chegado é algo menos superficial, é claro que estes foram uma minoria.

O que eu fico curioso é se isso é algo comum, se aconteceu para aqueles que estão no processo também.

Bom , era isso , tenho outros tópicos que quero escrever, mas isso fica para um próximo post.

Mauricio S.



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De Cindy para Andy… uma estréia na Blogosfera!!!



Oieee gente...


Hoje estou escrevendo pois queria pedir a ajuda e colaboração de vocês.

Vocês lembram quando eu escrevi sobre a nossa princesinha? Pois é, aquela criaturinha que entrou nas nossas vidas há mais ou menos 9 anos e trouxe muita alegria. Ela é nossa sobrinha. 

Desde o início do blog ela me acompanha, leitora e fã chegou a me pedir para escrever sobre ela. E escrevi aqui.

Então, pouco tempo atrás, ela me chamou pelo skype e me pediu ajuda para fazer o seu próprio blog. O nome do blog é: O universo de Andy. Lá ela fala de coisas relacionadas com a vida dela.

Agora a princesinha tem uma identidade na blogosfera, ela assina como Andy!!!

Eu prometi que quando ela tivesse um certo número de posts, eu publicaria no meu blog para divulgar. Então aqui estou, "Tia Cindy", cumprindo minha promessa.

Gostaria de pedir aos leitores e amigos que, se não for incômodo, dessem uma passada por lá! E se puderem, deixem algum comentário de incentivo,... (nós sabemos o quanto gostamos dos comentários que são deixados para nós!!!)

Só gostaria de frisar que ela é novinha (tem alguns errinhos nos posts) e isso está servindo de incentivo para que ela leia mais - escrever melhor e sobre coisas mais interessantes.

Gente,... muito obrigada pelo apoio de vocês!!! Ela é muito especial para mim... e faço tudo por ela!!!!

"Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas"
Saint- Exúpery







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Pensando em voce pai!


Há exatamente 41 anos eu deixava de ter um pai.
Tento não pensar nisso quando chega o dia 18 de janeiro,mas infelizmente a data me vem a cabeça.
Muitos podem pensar que não me lembro dele pois só tinha 3 anos e meio quando ele desencarnou,mas eu tenho minhas lembranças sim,apesar de poucas e,por mais incrível que pareça quando fecho meus olhos,vejo seu rosto e sou até capaz de sentir seu cheiro.
Minha família me ajudou a ter boas lembranças dele,a família que amo,que sempre me amou e sempre me tratou como a filha do Jorge.
Quero agradecer aos meus tios queridos,que apesar da distância se fazem presente em minha vida sempre,meus primos que sempre fizeram questão de me contar as aventuras e ''travessuras''dele.
Tive uma infância muito boa e feliz apesar da ausencia de meu pai,com certeza ter tido uma ''mãe-pai'' fazendo sempre tudo que podia e não podia para me dar todo o conforto físico e espiritual se virando sozinha e com uma saúde delicada,ajudou muito.

Sempre fui uma pessoa feliz.Acho que isso vem dentro da gente sabe?!

Quero dizer que apesar de não ter tido a presença paterna em minha vida quase inteira,amo meu pai e sou grata por tudo que ele fez por mim em vida e em espírito até hoje.

Se hoje estou aquí vivendo a vida que queria,certamente é pq ele sempre esteve ao meu lado em espírito,me dando força e me ajudando a acreditar em mim e em Deus.

Claro que adoraria poder recebe-lo em nossa casa,apresenta-lo aos nossos amigos,conversar sobre o futuro de suas netas..mas a vida é como tem que ser.

Não pudemos compartilhar um pôr do sol lindo como esse que presencio sempre aquí em Sept Iles,nem tão pouco brindar juntos em algum momento importante e feliz de minha vida,porém guardo e levarei seu coração junto ao meu para sempre,por quantas vidas viver.

Te amo demais pai.
Saudades enormes de seu sorriso,seu olhar e de seu carinho..


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Fim das Férias: de Volta a Montréal!!

Olá, Povo de Deus!

Depois de 5 semanas de merecidas férias no Brasil, chegamos finalmente ao Canadá. De volta pra casa, e a casa não é mais no Brasil. E 5 semanas foi pouco para visitar todos os nossos queridos amigos e parentes, resolver uma infinidade de questões relativas a bancos, burocracia do governo, saúde, dentistas, e uma merecida semana de descanso na praia. Estivemos em Curitiba, em Porto Alegre, em Florianópolis, no Litoral do Paraná, visitamos muitos parentes e amigos, batizamos o Thiago, reencontramos o povo do Cursilho e tivemos muitos "eventos" (pizza... alguns hábitos demoram a morrer) com eles! ufa!!! Realmente faltou tempo para muitas coisas, mas conseguimos resolver tudo o que havíamos nos proposto a fazer. A gente não escreveu muito no blog neste período porque na maioria do tempo estávamos sem conexão à internet, mas mesmo assim tiramos muitas fotos que vamos guardar com carinho! Fomos acolhidos carinhosamente por nossos amigos e parentes, que fizeram tudo para nos sentirmos em casa. Todo mundo queria saber sobre como é a vida no Canadá, e alguns quiseram nos convidar para uma janta ou algum compromisso social mais longo, pois também tinham planos de imigração e queriam dicas (a gente fez também a mesma coisa com os nossos amigos que vinham para o Brasil antes, ehehe). Seguem algumas fotos legais de nossa estada no Brasil...









Quando saímos do Brasil, o pessoal da TAM empombou com nossa documentaçao, dizendo que os PR Cards nao eram validos para sermos aceitos de volta no Canadá. Entao, ficamos trancados em Curitiba quase ate a hora da decolagem pois eles tinham que verificar isso. Acabou que estava tudo bem. A viagem de volta foi bem mais cansativa do que a de ida. O Thiago reinou mais do que antes e tivemos muita dificuldade para dormir no vôo Guarulhos-Toronto. Chegamos em Toronto e passamos tranquilos por todas as barreiras aduaneiras. O oficial perguntou coisas como: "o que foram fazer no Brasil?", "onde ficaram hospedados?", "quanto tempo ficaram?", "saíram do Brasil neste período?" Respondemos tudo direitinho e ele nos carimbou para irmos direto pegar as malas, sem passar pela imigraçao. Que sonho!!!! Na foto, estamos no aeroporto de Toronto, prontos para embarcar para Montréal, após passarmos pela última barreira, a do raio-x para o embarque da conexao. Depois disso, foi só esperar para embarcar e chegar em casa. E no portao de embarque para Montreal, as comissarias de bordo ja falavam frances com sotaque do Quebec, e nos sentimos em casa... surpreendente...

Mas a maior surpresa foi: cadê a neve? Nao achamos neve em Toronto (ver foto do aeroporto). Entao, tivemos de esperar até chegar em Montréal para podermos ter uma vista da cidade toda branquinha, coberta de neve... Muito lindo mesmo! Nosso vizinho foi nos buscar gentilmente no aeroporto com nosso carro... Outra surpresa foi o estacionamento aquecido. Nao sabia dessa! A gente pode estacionar por $6 a hora em um estacionamento do hotel Marriot no aeroporto, que é totalmente aquecido. No estacionamento convencional, paga-se $4 a hora.
Mas voltando ao assunto férias, 5 semanas passam rápido, e também são mais que suficientes para sentirmos muitas saudades do nosso cantinho e de nossa rotina aqui no Canadá. Assim, mesmo que as férias estejam acabando, estamos com bastante gasolina para começar muitas coisas que têm que acontecer neste ano, pois a vida é feita de sonhos:
  1. Mudarmos para uma casa perto da nova escola das crianças até o meio do ano (vou contar mais sobre a escolha da escola em um post só sobre este assunto);
  2. Trabalhar na Igreja entre os nativos de língua francesa e/ou inglesa;
  3. Continuar estudando inglês (Cris) e francês (Igor);
  4. Obter certificaçoes para aumentar a nossa empregabilidade (IIBA, PMP, Oracle, etc);
  5. Levar as crianças de férias para os EUA (tem que tirar visto e passaportes novos, pois os atuais estao vencendo);
  6. Receber as milhares de visitas que estao para chegar este ano. Se todo mundo que prometeu vir vier mesmo, vai faltar agenda para hospedagem, ehehehe!

Entao, mais uma etapa cumprida... Vamos continuando nossa caminhada Québecois, com passos firmes de quem sabe onde quer chegar! Agora, é matar a saudade dos nossos amigos locais!!! E vou dormir, pois estou meio com sono depois dessa viagem louca. Sao 12h de vôo, mas de viagem dá mais de 23h!!!

Abraçao e a Paz

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AS MÁSCARAS DE DEUS.

imagesImagine comigo, por favor, que o universo de uma criança desde seu nascimento até os dez anos foi basicamente isso:
Mamãe era devota do Padre Cicero. Papai conversava com as cercas do quintal e nós tínhamos a mania de acreditar em tudo que fosse crenças, superstições, anedotas e até em mentiras mal contadas como a do senhor Lalau que morrera e sua alma passou a noite balançando a rede de Dedinha de Zé Castanha que fez piada com a morte do velho peidão.
“Eu sou a alma do Nicolau – e vim te pegar pelo pé – cabra safado que falou mal das minhas pregas frouxas!”
As brincadeiras eram regradas com trabalho pesado ou chicotes de rebentar coro mole. Aos adultos, pediam-se as benções em sinal de respeito e de suas conversas, crianças não podiam participar. Se chegasse a cavalo, desapeava-se e, na frescura da noite, contavam-se causos. Ninguém mentia. Era a convenção daquela pequena sociedade do candeeiro. Da botija de João Guedes ao menino que virou bicho, por praga do pai, a nossa imaginação fervia com aquelas historias que disciplinavam a todos. Por fim, os adultos iam dormir e os demônios viam perturbar as crianças no meio da madrugada. Não havia escola, e raro nas eleições, os políticos mandavam a merenda para enganar barriga de pobre, em troca do sufrágio. O mundo acontecia e nós meninos não fazíamos parte dele, exceto quando escondidos assistíamos os ThunderCats na televisão preto e branco do Séô Mário, pai dos sete diabos da minha isolada vida. Estes irmãos capetas, certa vez me enterraram vivo num banco de areia do riacho detrás de casa. Por esta razão dei-lhes um tiro de garrucha; com quanto que errei, mas papai não me perdoou e arrancou tiras de couros do meu espinhaço e depois lavou-me com salmoura para judiar mais, alegando haver efeitos de cura. Mesmo assim, eu amava aquele filho de uma puta. A esperança de tudo aquilo, estava na hóstia sagrada e nas palavras rudes do Padre Vicente e a alegria era encontrada nos banhos de cuias, mergulhos no açude ou na trovoada que trazia chuva e a gente pinoteava nas poças gritando que os céus falavam conosco. Era tudo para garantir a festa de nossa inocência infante.
Depois a gente cresce e faz de conta que esqueceu. Mas na rodilha da vida, os potes se quebram fácil e todo encanto se esvai. A gente cria novas crenças e segue novas condutas sociais. Assumimos novos papeis e colocamos outras mascaras ou, simplesmente ignoramos quem outrora fomos.
Agora, pergunte comigo: Como confrontar estes dois universos e tirar do seu núcleo aquilo que Milton Nascimento sugere?
Debulhar o trigo,
recolher cada bagre do trigo.
Tirar do trigo o milagre do pão
e se fartar de pão.
Afagar a terra,
realizar os desejos da terra.
Cio da terra,
a propicia estação e fecundar o chão.
Decepar a cana,
recolher a garapa da cana.
Roubar da cana a doçura do mel
e se lambuzar de mel.
Parece que o remédio está no fundo daquilo que se convencionou chamar de alma, repousando-a no mais puro que podemos acreditar e flexionando-a àquilo que permeia o Universo das crenças.
Embora eu tenha o entendimento da verdade. Está é apenas uma das muitas verdades. De modo que podemos acreditar verdadeiramente em mentiras, somente porque sabemos quem somos e de onde viemos e este é o universo perfeito para se buscar a trivialidade de espírito.
Então, feche comigo os olhos e escutemos juntos esta canção:
Fabio Kaczmarski de Freitas



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